Que tipo de líder precisamos nas organizações?
A responsabilidade do líder na formação dos liderados O que podemos aprender com o recente episódio "Briatore x Alonso x Piquet Jr". Ainda ecoam nas folhas os clamores daqui-e-delá sobre o acontecido com o brasileiro Piquet Jr. Segundo o próprio Piquet Jr confessou, foi orientado pelo seu líder (chefe na equipe e também seu empresário), a cometer uma irregularidade com a finalidade de favorecer seu companheiro de equipe Alonso. O "acidente" colocou em risco sua saúde e de seus companheiros, arranhou profundamente a imagem de um esporte competitivo além de ter chamuscado a marca Renault. Até agora Piquet Jr foi demitido, Briatore (o líder) também. Cada um por razões diferentes mas todos ligados ao episódio. O primeiro aspecto que podemos observar é que o líder tem uma força extraordinária sobre o liderado, pois está com o destino do pupilo nas mãos. Nas organizações de toda a natureza, chefes prepotentes e sem nenhuma ética usam suas equipes para atos escusos, muitas vezes ilegais, com o argumento de que estão lutando pela melhoria dos resultados. É muito comum vermos pessoas demitidas por não se submeterem a essas pressões. Mas isso precisa mudar rapidamente. Começo a ver as organizações preocupadas com a liderança responsável. Até recentemente, ter um líder que conseguia resultados a qualquer preço era uma coisa desejada. Agora começamos a ver mudanças. Estou torcendo para que prospere a tese da LIDERANÇA RESPONSÁVEL. O que é um líder responsável? É aquele que busca resultados respeitando os limites das pessoas e da natureza. Recentes episódios de suicídio na empresa francesa France Telecon causam preocupações pois demonstram que a reestruturação daquela estatal está sendo feita sem esses valores. Vou usar aqui o que disse o Professor John Wells(*), presidente da famosa escola de administração IMD (Suiça). "Liderança responsável é não apenas integrar resultados bons, mas fazê-los do jeito certo. O objetivo de qualuqer empresa é ter uma performance sustentável superior. Mesmo assim muitas empresas falham por não conseguirem se adaptar a um mundo em constante mudança. Inércia é fatal. Liderança responsável demanda estratégias e estruturas ágeis. O jeito como se alcança um bom resultado tem um profundo efeito na saúde de longo prazo das empresas. Neste sentido, é sempre útil apelar para os simples princípios da honestidade e da clareza." O mesmo professor Wells deu alguns exempos: "Alguns gerentes desenvolvem carreiras bem sucedidas explorando membros de suas equipes e atuando pouco para desenvolvê-los. Isso é "roubo" da base de ativos da organização. Também é "roubar" ativos não entregar aos clientes o benefício prometido pela marca. Outro caso de "roubo" é das companhias de seguro que melhoram sua rentabilidade usando artifícios para não pagar seus segurados. Também o caso de um gerente industrial que é promovido por reduzir os custos de sua unidade postergando a manutenção das máquinas. Está "roubando" ativos, acelerando a depreciação e aumentando o risco." O desafio para as organizações é criar mecanismos que desencoragem práticas dessa natureza. Com isso poderemos caminhar na direção de uma Liderança Responsável. O Sr. Briatore não tem espaço nesse modelo. O leitor deve estar pensando: será que preciso ir tão longe? Na minha realidade encontro situações como essa? Outra pergunta inquietante: Até que ponto eu, como líder, faço a mesma coisa? Uma palavra final: o líder é sempre responsável pela formação dos seus liderados. Só forma quem tem a fôrma. Não queremos líderes deformados. ( literalmente...) (*) A entrevista completa do Prof. Wells, (Lider Responsável) concedida ao jornal Valor Econômico está aqui. Atualização em 21.09.2009, Renault FICA SOB OBSERVAÇÃO na F1. Briatore foi banido. VEJA AQUI.
Escrito por evaldo às 16h15
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Poesia - Setembrino Sempre fico feliz quando meu amigo Silmar Bohrer manda uma nova poesia. A de hoje tem um nome sugestivo: SETEMBRINO.
Escrito por evaldo às 21h27
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