Lentidão do Governo
Como acelerar o governo? Contratando gerentes. A velocidade da execução de todas as ações governamentais pode ser acelerada. Durante a semana ouvimos o Presidente Lula reclamando da lentidão das ações do governo. Falou que o governo precisa ser mais ágil. Em alguns momentos culpou o TCU. Acho importante que o Presidente se preocupe com o "fazer acontecer" pois a efetividade das ações governamentais depende de um adequado planejamento, com impactos claros e de executivos competentes para a execução. Sobre as razões da lentidão governamental existem várias desculpas que vão desde a burocracia imposta por leis anacrônicas até disputas internas pelas diversas composições da base de sustentação política do governo. Quero, entretanto, propor outra forma de olhar a questão. Todos sabemos que o fazer acontecer das organizações depende de três categorias de processos. Os primeiros são os processos finalísticos que se referem às atividades ligadas diretamente à razão de existir da organização, suas atividades-fim e atendimento direto das necessidades do seu público ou clientes. No ministério da Educação, por exemplo, seriam os processos ligados às políticas e estratégias da educação brasileira. Em segundo lugar encontramos os processos de apoio. Referem-se às atividades que são suporte ao funcionamento das organizações como por exemplo gestão de pessoas, gestão de materiais e suprimento de serviços de tecnologia da informação. A terceira categoria se refere aos processos gerenciais. São as atividades de planejamento, organização, direção e controle. Englobam todo o processo decisório e também mensuração e ajuste do desempenho organizacional. Nos órgãos governamentais, de um modo geral os processos finalísticos são executados pelo corpo técnico de analistas e especialistas. Os processos de apoio são facilmente terceirizáveis e também são executados por técnicos. Para essas duas categorias de processos o governo tem realizado concursos públicos, suprindo gradativamente a necessidade de capital humano. Quanto aos processos gerenciais, nota-se evidente lacuna no suprimento de gestores. Foram muito poucos os esforços de contratação de executivos com perfil adequado aos desafios da execução da ação governamental. Não me recordo de mais do que dois concursos recentes para gestores. No dia de hoje (25/10) todos os concursos de órgãos federais com inscrições abertas, num total de vinte, referem-se a cargos para os processos finalísticos e de apoio. Alguém pode perguntar: Qual a razão da não contratação de gerentes no governo? Na minha opinião existem várias, mas fico com uma, por enquanto.A grande maioria dos cargos gerenciais existentes na estrutura governamental são funções de confiança. Normalmente cargos comissionados que vão ser ocupados por indicação e podem ser de pessoas da própria organização ou de fora dela. Os ocupantes são transitórios e duram uma gestão. Os órgãos que conseguem atrair gestores capacitados e comprometidos, fazem acontecer com tranquilidade. Nem sempre dá para esperar muito, pois ocupantes de funções de confiança são pessoas "de confiança" e não necessariamente pessoas com perfil gerencial. Senhor Presidente Lula, vamos contratar mais administradores para o governo? Nas faculdades brasileiras o maior contingente de estudantes de uma única profissão é de Administração.
Escrito por evaldo às 20h59
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